domingo, 3 de junho de 2012

[RELATO] Campeonatos Brasileiros Caixa de Corridas de Montanha – Santo Antonio do Pinhal

Abaixo texto que foi publicado na página das Corridas de Montanha, no dia 01 de junho de 2012, onde passei a fazer parte do grupo de colaboradores que escreverá periodicamente para o site.

O link externo para o texto é: (http://corridasdemontanha.com.br/site/?p=4871).
Corrida de Montanha - SAP (foto: Marília Venâncio)
Olhar de quem correu...

Olá amigos, aceitei o desafio de colaborar com o site e, a partir de hoje, tentarei transmitir as minhas impressões nos eventos organizados pelas Corridas de Montanha. Não ficarei falando sobre mim, deixarei que vocês me conheçam aos poucos, na medida em que eu for postando textos, acredito que essa seja a melhor maneira de iniciar um vínculo saudável e promissor com todos aqueles que gostam das corridas de montanha. A título de curiosidade, o meu nome é Daniel Gonçalves, sou paulistano e corro há quase 11 anos (desde os meus 16 anos de idade). Participo das corridas de montanha desde 2008, quando experimentei essa modalidade ao me inscrever na etapa de Atibaia/SP.

Bom, falarei agora sobre o evento a que me foi disponibilizado este espaço. É inegável o aumento da procura pelas corridas alternativas, algo que seja diferente, que seja desafiador, que saia da mesmice do asfalto. Isso não significa que será o fim das corridas de rua, muito pelo contrário, atualmente existem ótimas opções de corridas, bom para nós atletas, bom para os organizadores, bom para os novos empreendimentos, enfim, no final das contas todos, de certa forma, saem ganhando. A 5ª etapa da Copa Paulista de Corridas de Montanha, confirmada para o dia 27 de maio, recebeu o “ingrediente” de ser também a edição especial dos “Campeonatos Brasileiros Caixa de Corridas de Montanha”, seletiva cujo vencedor terá a oportunidade de participar da prova sul-americana da modalidade.

Igreja da cidade
Kit
O processo de inscrição é bem fácil, basta possuir um cadastro no site “Minhas Inscrições” (vinculado ao site oficial do evento) e em poucos cliques a pessoa já terá realizado a inscrição. As inscrições para esse evento custaram entre R$ 120,00 e R$ 140,00 respectivamente. A prova contou com duas modalidades: percurso curto de 8,6Km e longo de 12,6Km. Na véspera, retirei o kit, sem filas ou qualquer tipo de dificuldade, em seguida fui ao jantar de massas, no restaurante “Picanha & Pasta”, recomendado pelos organizadores e não me arrependi, fui bem servido, experimentei uma deliciosa picanha, além do desconto recebido por conta da parceria com a organização do evento. Não posso deixar de mencionar que estive na companhia da Vivian Pavão, que também estava inscrita para a prova. O kit, disposto numa sacolinha de boa qualidade, continha uma revista “Outside” (setembro de 2011 – repetida, pois já havia recebido a mesma na retirada do kit da última etapa), uma bela camiseta manga curta, dois números de peito (para o peitoral e as costas), um pacote pequeno de granola, a já tradicional canequinha, além de um voucher para utilização gratuita por 30 dias na equipe Selva Aventura.
Jantar de massas (e carne)
Na companhia da minha amiga e parceira Vivian Pavao
O domingo amanheceu frio, mas com boa expectativa de sol, a concentração da largada ocorreu na Praça do Artesão, onde grande parte da logística estava montada. Notei poucos banheiros químicos, porém, não presenciei reclamação de ninguém a respeito, tampouco se formou grandes filas ao redor, o que é um ponto positivo para os organizadores. Como a chegada seria em outro local, no Pico Agudo, o sistema de guarda-volumes foi concentrado numa van tipo escolar, que se deslocaria até o ponto de chegada, sendo que o retorno dos atletas seria por meio de micro-ônibus, que traria os corredores de volta a Praça do Artesão. A largada foi um tanto confusa, pois o locutor anunciou que a modalidade curta largaria primeiro e que, dois minutos após, seria autorizada a largada da distância longa. O que de fato não ocorreu, pois a margem de tempo entre as duas modalidades não chegou sequer a quarenta segundos. Alguns reclamaram, não foi o meu caso, o clima estava muito bom para que aquilo atrapalhasse o meu bom humor e disposição em enfrentar os desafios que viriam pela frente.
Largada na cidade
Achei o trecho inicial desnecessário, pois demos uma volta “perdida” nas duas principais avenidas da cidade até iniciar as temíveis subidas. A exemplo das edições anteriores, sob a justificativa de preservar o meio ambiente, não seria distribuído água em copos, portanto, cada corredor seria responsável pela sua hidratação. Notei que as placas de marcação foram dispostas de maneira decrescente, ou seja, a placa de 8Km significava que ainda faltava mais da metade da prova a ser percorrida. Não escondo a satisfação quando me deparo com trechos difíceis pela frente, é o grande “barato” das corridas de montanha, sou do tipo “quanto mais difícil melhor” (risos). Depois de um início monótono, o percurso foi ficando cada vez mais interessante, onde passamos por estradas rurais, subidas íngremes em estradas de terra em mal estado, por chácaras e sítios, cães soltos ao longo do percurso, enfim, obstáculos não faltaram.
Subindo...
Para a minha surpresa, quando cheguei ao primeiro posto de hidratação, a água estava sendo servida em copos descartáveis, por mais que isso beneficie os atletas (inclusive este que vos escreve), não deixa de ser uma infração ao regulamento. Dali em diante, iniciou a verdadeira corrida de montanha, isso porque foi um incansável sobe e desce, muitos caminhavam, outros tentavam trotar, essa foi a dinâmica até o final da prova. Não posso deixar de citar o excelente tempo naquele dia, o céu estava azul como os “Smurfs” (risos), havia poucas nuvens cobrindo o céu, em outras palavras, estava do jeito que qualquer corredor gosta. Não percebi o momento da dispersão entre os atletas com a numeração branca (longo) com os de numeração amarela (curto), sei após a metade da prova ultrapassei alguns corredores da distância menor. Diferentemente das edições passadas, não teve lama, barro e nem trechos em lagos, os percalços apareceram de outras formas, pelas subidas e barrancos, fico imaginando como seria o mesmo percurso percorrido à noite.
...subindo...
...subida interminável...
O melhor da “festa” ficou para o final, mais precisamente os últimos dois quilômetros, onde iniciei uma subida por uma estrada de terra irregular, com muitas pedras soltas, onde ora afunilava, ora surgiam grandes valas, penso que apenas moto ou trator é capaz de passar por aquele local. Enfim, até ali estava suportável, eis que já era possível escutar o locutor no alto do pico, portanto, não estava longe. Sem exceção, todos os corredores que estavam próximos, caminhavam, era quase impossível correr, quando atingi o final da subida, entrei num terreno de mato aberto que me conduziu até uma verdadeira escalada por um verdadeiro morro, o fato de estar usando luvas facilitou, pois senti mais segurança para usar os quatro apoios (pés e mãos). O final da escalada ainda reservou uma verdadeira rampa por um trecho muito estreito e íngreme em mata fechada, não conseguia enxergar o fim daquela subida, o cordão de isolamento era o meu guia, se por um lado não tinha a mínima noção para onde estava indo, ao menos sabia que aquele era o caminho certo.
Montanha...
Mais montanha...
Após aquela sucessão de subidas, um verdadeiro “clarão” surgiu a minha frente, vi os corredores que já haviam terminado incentivando aqueles que ainda estavam “enroscados” nos diversos trechos da montanha, e segui a passos largos para cruzar a linha de chegada com o tempo de 01h34min. Havia frutas, isotônico e água a vontade para os atletas, recebi mais uma parte da mandala, com a sensação de dever cumprido. Não perdi tempo e, aconselhado pela minha amiga Vivian Pavão, fui rapidamente até o micro-ônibus, que por sinal já estava cheio, e em pouco tempo já estava de volta a Praça do Artesão. Permaneci por mais algum tempo no local, conversei com pessoas da organização, dentre elas a Edna Vieira, que me fez o convite para escrever para o site. Em relação aos amigos, encontrei o Jorge de Jesus, Toninho, o Marcelo Jacoto, o Antonio Farroco, a Betânia Ferreira e a Maria Lúcia (conhecida como Malú). Não demorou muito para os resultados preliminares serem divulgados, só não gostei porque foram afixados em apenas um local, causando uma enorme confusão entre os muitos atletas que ali estavam. Presenciei o Fábio Galvão, presidente da organização, prestar alguns esclarecimentos sobre a prova, informar a desclassificação de uma atleta (o que causou um certo desconforto), entre outras coisas. Não permaneci para assistir cerimônia de premiação, pois tinha que regressar a São Paulo.
Chegada
No micro-ônibus
Para finalizar, a prova em si teve uma ótima aceitação dos atletas, apenas faço ressalvas em três pontos:
1) Sobre a questão da largada, um dos momentos mais importantes do evento, a comunicação é fundamental para que não haja desencontro de informações. O locutor tem que estar integralmente sintonizado com os acontecimentos ao seu redor.
2) A não distribuição de hidratação em copos descartáveis ainda gera muita discussão, onde as pessoas estão divididas, alguns concordam, outros discordam. A organização deixou claro que não serviria água em copos, não foi o que se viu no evento. A água foi distribuída em copos, o que dá brecha para que outras situações que o regulamento proíbe ocorram e causem desconforto (dor de cabeça) para os organizadores.
3) Para que não haja tumulto na verificação dos resultados, seria interessante a organização fixá-los em diferentes pontos, assim dispersaria os atletas e causaria menos confusão. Percebi alguns atletas mais exaltados, alguns com pressa em ver o resultado, outros que, além do próprio resultado, permanecia para ver outras parciais, causando aglomeração.
Em linhas gerais gostei muito de ter passado o final de semana em Santo Antonio do Pinhal, a organização em si está de parabéns pelo ótimo evento que proporcionou aos atletas. O evento contou com a cobertura fotográfica do popular Tião Moreira e da equipe de fotógrafos do portal Foco Radical. Foi uma prova de alto nível, muito difícil, onde os obstáculos só engrandeceram a conquista daqueles que completaram esse desafio. Imagino a quantidade de boas histórias que surgiram depois dessa prova.
Copa Paulista de Corridas de Montanha
Com a minha amiga Malú
Vejam o vídeo oficial da prova:
No próximo relato (para o site oficial do evento e para o blog após o relato dos ‘10Km do BRASIL’ – 03.06.12), escreverei sobre um assunto espinhoso: o regulamento das corridas de montanha (a questão da pontuação). Penso que será uma discussão interessante, pois teremos a oportunidade de saber a opinião dos principais personagens das Corridas de Montanha: nós, corredores. 
Medalha

sábado, 2 de junho de 2012

[RELATO] 27ª TRIBUNA FM

Olá amigos, coloquei na cabeça que participaria da corrida da Tribuna de qualquer jeito neste ano. Isso porque ouvi de diversos amigos a respeito da popularidade e importância que o evento atingiu ao longo dos anos. Alguns chegaram a me dizer que se tratava da “Corrida de São Silvestre de Santos”, comparação que me deixou muito curioso. Outro ponto interessante é a intensa concorrência nas inscrições, que são abertas e esgotadas em questão de dias. Para este ano a organização disponibilizou dezesseis mil inscrições, ao preço de R$ 60,00, que atraiu corredores de vários lugares do país. Como é bem sabido, a prova possui percurso de 10Km similar para a corrida e caminhada. Fiz a minha inscrição e tão logo recebi um email de confirmação e em poucos dias recebi outra mensagem contendo o meu número de peito e informações para a retirada do kit.
Kit
Percurso
A corrida estava marcada para o dia 20 de maio, porém, realizei a inscrição em meados de março, ou seja, a pouco mais de dois meses da realização do evento. Tempo suficiente para ocorrer muitas coisas, parte delas contei no último relato: fiquei doente a ponto de não correr em Campos do Jordão, deixei de ir à Corrida do Trabalhador, em contrapartida participei da Fila Night Run no Autódromo de Interlagos, retomando a rotina esportiva. Voltando a Tribuna, fiz reserva no Hotel Ibis, indicação da minha amiga Simone Fukuji, moradora de Santos, portanto, não havia melhor pessoa para tal indicação. Daí em diante, os dias passaram naturalmente, sem pressa, ainda não era o momento para pensar “exclusivamente” nessa prova.
Quarto do hotel
Por ironia do destino, ainda não conhecia a cidade de Santos, portanto seria uma dupla estreia: conhecer a cidade e correr a prova. Como é de praxe nas minhas viagens, sempre me desloco na véspera, cheguei em Santos por volta das 19h00, peguei um táxi até o hotel. A cidade estava movimentada, pois estava ocorrendo a Virada Cultural. Não posso deixar de mencionar a ótima estrutura do Hotel Ibis, fiquei hospedado num quarto confortável, cheguei a tempo de assistir a disputa dos pênaltis da final da Liga dos Campeões da Europa (Bayern de Munique x Chelsea). Depois disso, fui dar uma volta pela cidade, mais especificamente na orla da praia e pude constatar que a cidade estava repleta de turistas e atletas. Entrei no shopping Miramar, porém, a praça de alimentação estava muito cheia, optei por uma solução mais prática: comprei um lanche no Mac Donald’s e levei para comer no hotel. Não encontrei problemas para dormir, o meu quarto ficava no 8º andar, não havia barulho ou qualquer coisa para me incomodar.
Concentração antes da prova
Acordei no domingo por volta das 06h00, tomei um excelente café da manhã, e em poucos minutos já estava pronto para sair. O hotel estava localizado a poucos metros da chegada da prova, portanto, eu teria que pegar um táxi até o ponto de largada. Não pensem que isso foi uma logística complicada, muito pelo contrário, foi um meio de transporte rápido e eficiente. Fui orientado por alguns amigos que correr essa prova seria tremendamente difícil, não por conta do percurso, que é totalmente plano, mas pelo grande número de inscritos associado ao fato das ruas de Santos serem muito estreitas, em outras palavras, nada de pensar em performance. Naquele momento, várias vias de acesso estavam interditadas, as ruas iam sendo tomadas por atletas, vindos de todas as direções. O Palácio da Justiça estava tomado, bem como as imediações, o tempo estava cooperando, temperatura estável, céu nublado.
Locutor
Guarda-volumes
O guarda-volumes estava disposto em caminhões tipo baú, sendo a segurança da mesma feita pelo (pasmem!) Exército. Vi poucos caminhões, alguma coisa me dizia que eu teria problemas no momento de resgatar as minhas coisas (no final, isso se confirmou). A organização acertadamente investiu no chip de cronometragem descartável, muito melhor na dispersão dos atletas ao final, visto que um evento com tanta gente poderia causar tumultos na devolução do objeto. A “minha” largada ou a largada em que eu estava incluído (melhor assim, não? risos) estava prevista para as 08h20, segui o fluxo dos corredores para o local de largada. Até aí, tudo estava bem dividido, que indicava pela cor no número de peito o setor de posicionamento correto da largada. Uma novidade que gostei foi a opção de escolha do nome que sairia impresso no número de peito, escolhi ser identificado por “Daniel Running”. Teve várias largadas, desde os atletas especiais, passando pelas elites feminina e masculina e, por fim, a largada do pelotão amador e caminhantes.
Momento antes da largada
Já no percurso
Foi uma verdadeira festa, a cidade praticamente “parou” para ver os corredores, o clima estava ótimo, o público esteve presente em praticamente todo o percurso. As ruas, apesar de estreitas, não me incomodou em nenhum momento, pois não estava ali para melhorar a performance, portanto, tive tranquilidade para aproveitar a prova. Gostei da distribuição de água, o pessoal era ágil na entrega, isso ajudava e muito a evitar aglomerações, pois havia nada menos que 16 mil atletas! Acredito que a única subida tenha sido as lombadas (risos), percurso praticamente plano, nesse quesito ninguém pode reclamar. O final foi pela orla da praia, havia uma verdadeira festa aguardando os atletas, digna de “encerramento” nos moldes europeus, onde havia arquibancadas dos dois lados, grades cuidadosamente alinhadas cercando o “corredor” e diversos fotógrafos nos esperando. Parecia festa do Oscar (risos).
Durante a prova
Momento "foto"
Ao final, conclui o percurso em 49 minutos, o que me deixou muito contente, afinal, mostrou que a retomada dos treinos estava surtindo o efeito desejado. Recebi uma bela medalha, além de uma sacolinha com frutas, suco de caixinha e barra de cereal. Encontrei a minha amiga Mayumi Yoshikawa, colocamos a conversa em dia e fomos procurar o guarda-volumes. Até aquele momento tudo estava ocorrendo da melhor maneira possível. A partir de então, tive um “chá de cadeira” enorme, primeiro pela dificuldade em localizar o guarda-volumes, pois havia um banner informando o local da retirada dos pertences que não condizia com a posição dos caminhões. Segundo, quando cheguei a fila estava com mais de 500 metros, sem contar aqueles que cortavam a fila, dificultando ainda mais o trabalho dos staffs. Resumindo: permaneci na fila por mais de uma hora, o que certamente tirou grande parte do meu bom humor.
Chegada
Com a minha amiga Mayumi
Depois disso retornei ao hotel, tomei um banho e retornei a São Paulo, calculei para chegar antes da estreia do meu time no Campeonato Brasileiro, porém, todo esforço em chegar para assistir o jogo de nada valeu, pois o São Paulo perdeu por 4x2 para o Botafogo (risos). Em linhas gerais, foi um final de semana muito agradável, pois não conhecia Santos, gostei e quando surgir uma nova oportunidade, não hesitarei em retornar. Depois de tanto tempo participando das provas, finalmente consegui marcar presença na famosa CORRIDA DA TRIBUNA FM.
Medalha
A próxima parada será em Santo Antonio do Pinhal/SP, onde contarei como foi correr na difícil prova válida pela 5ª etapa da Copa Paulista de Corridas de Montanha. Marcará também o início das minhas atividades como colaborador no site que organiza essas provas. Não percam! 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

[RELATO] Fila Night Run - São Paulo

Olá amigos corredores e não-corredores, após ter feito uma viagem incrível no sul da Argentina, estou de volta para relatar a minha primeira corrida no Brasil desde então. Antes disso, passei por duas semanas “terríveis”, por conta de uma faringite que me levou ao hospital duas vezes na mesma semana. Tomei três tipos de remédios, além do tradicional comprimido para dor de cabeça. Fiquei acamado por uns oito dias, inclusive durante o tão esperado feriado prolongado do início do mês. Bom, o importante é que graças ao apoio dos meus familiares e amigos (e dos remédios – risos), já estou restabelecido, pelo menos em condições de voltar a treinar. Um agradecimento especial a minha amiga Marília, que me socorreu ao me levar ao hospital no domingo que antecedeu ao feriado de 1º de maio.
Kit da prova
Estava inscrito na “Corrida do Trabalhador”, marcado para o dia 06/05/12, mas infelizmente não pude comparecer, ainda estava debilitado, repassei a inscrição ao meu amigo Tiago, que fez uma ótima corrida ao concluir os 10Km em 52 minutos. A Fila Night Run era a próxima corrida do calendário, ainda não tinha certeza se ia participar, uma vez que eu não havia feito um único treino sequer. Fui buscar o kit na quinta-feira (10/05/12) no supermercado Sonda, ao lado do Vila Country. A organização caprichou na arte e qualidade da camiseta, manga longa, além do tradicional squeeze, numa sacolinha personalizada. A O2 tem sido, na minha opinião, a melhor na confecção de kits para os atletas.
Mapa da localização do evento que recebemos na entrega de kit
Devo lembrar que a prova estava marcada para o dia 12/05/12, ou seja, um sábado, com a largada prevista para as 20h00. Dessa forma, a minha amiga Priscila, que gentilmente me ofereceu carona, sugeriu que saíssemos por volta das 17h30, um horário bastante razoável, já que não havia motivos para ter trânsito. Triste engano, pegamos um trânsito intenso desde a Ponte Cidade Jardim até o local da prova, em outras palavras, chegamos ao Autódromo de Interlagos 19h45!!! Na marginal, percebemos que boa parte das pontes e viadutos estavam interditados (inclusive a Ponte Estaiada), já a Avenida Interlagos estava como tráfego muito lento, boa parte eram corredores tentando chegar ao autódromo. Independente de todos esses obstáculos, conseguimos chegar a tempo.
Uma das arenas da prova
Apenas a título de curiosidade, já corri no autódromo por diversas vezes, com distâncias que variaram de 10 à 21Km, todas durante o dia, agora havia chegado a vez de correr no “S” do Senna a noite (admito que estava ansioso). Pelo horário “apertado”, não consegui utilizar o guarda-volumes, segui com a Priscila para o local de largada. A partir daí eu “rasguei” tudo aquilo que sabia a respeito das minhas experiências anteriores, pois a começar pela concentração da prova, ao invés de ser nos boxes, a organização montou um palco e colocou as assessorias no miolo do circuito, comumente conhecida como área de escape dos carros de corrida. A sinalização até que estava razoável, por ser uma prova noturna, temos que relevar alguns defeitos, entre eles a “escuridão” onde estavam posicionadas as assessorias e a confusão para saber o local exato de largada.
Eu
Assim que chegamos à área onde estava o palco para o show surpresa, fomos informados pelos alto-falantes que a largada sofreria um atraso de aproximadamente vinte minutos. Não entendi bem o motivo, mas, é bem possível que tenha sido por causa da dificuldade que muitos corredores enfrentaram para chegar ao autódromo. Um ponto que me desagradou foi o grande (e excessivo) número de inscritos, isso certamente contribuiu para o atraso. O meu número de peito me colocava no pelotão “Quênia”, porém, com aquela confusão toda, não consegui chegar nem perto desse local. A sorte foi que não choveu, senão haveria um lamaçal no gramado onde estavam instalados algumas tendas da organização, bem como a área de concentração do público em geral. Quem correu a última São Silvestre, entenderá essa observação que fiz questão de mencionar. Para os mais atentos, havia um helicóptero sobrevoando o evento desde o início, não sei se era por conta da segurança ou para facilitar o serviço de emergência caso alguém passasse mal ou apenas mais um atrativo do evento.
Eu
A largada ocorreu às 20h23, só percebi por causa da movimentação dos corredores à minha frente (segui o fluxo).  O tapete magnético na largada estava mal colocado, muitos corredores tropeçaram, não sei se alguém se machucou. A largada foi simultânea para as duas distâncias: 5 e 10Km. No meu caso, que corri a distância maior, teria que percorrer duas voltas no circuito. Eis que a partir daí a logística da prova entrou nos eixos, pois apesar da fraca iluminação do autódromo, havia no percurso alguns geradores de energia que iluminavam alguns trechos (ponto para a organização). Outro ponto que me agradou muito foi que o percurso foi anti-horário, diferentemente de todas as outras vezes que corri no autódromo, achei muito legal correr a reta principal no sentido oposto. Por incrível que pareça, não estava frio, nem mesmo a ameaça de chuva durante o dia fez a temperatura cair, a noite estava bem agradável. Apesar disso, não quis arriscar, como vocês poderão ver nas fotos, fui preparado para enfrentar o frio e possíveis ventanias. Gato escaldado...
Foto tirada gratuitamente na tenda da UNIMED
A distribuição de água ocorreu corretamente, havia água em abundância, acho que ninguém reclamou nesse quesito. Muitos corredores fizeram apenas uma volta (5Km), havia um desvio para quem estava completando daquele que estava iniciando a segunda volta. Quando passei em frente a largada (para iniciar a parte final), começou a tocar a música “Sweet Child O’ Mine”, do Guns N’ Roses, não preciso dizer que fiquei mais animado ainda. O que achei "chato" foi que havia duas mesas de som muito próximas, pareciam que estavam "disputando" qual delas chamaria mais a atenção dos corredores. Imaginei a segunda volta idêntica à primeira, mais uma vez me enganei, houve alguns desvios que, por estar escuro, não identifiquei onde me levaria. Só sei que da área de escape, entrei no circuito novamente e fui conduzido para o “S” do Senna, só que em vez de descer, subiria aquela verdadeira rampa, foi divertido, passei pelos boxes, havia alguns abertos, com alguns carros sendo preparados (não era de Fórmula 1), passando aquela reta, entrei novamente no percurso similar à primeira volta, mais descidas do que subidas. Ainda encontrei alguns “monstros” pelo caminho, no melhor estilo “Noite do Terror do Playcenter”, vários fotógrafos e muita música Techno. Só para não perder nenhum detalhe, além do espaço da concentração do evento, havia outro ponto, no trajeto, tocando músicas para animar a galera.
Minha amiga Priscila e eu depois da prova
Senti o peso de não ter treinado nas últimas duas semanas, o que é natural, as pernas estavam cansadas, consegui impor um ritmo razoável, concluindo os 10Km com 56 minutos, o que me deixou muito satisfeito.  Satisfação essa que confirmei apenas na minha casa, ao acessar o site oficial para conferir o resultado, pois quando cruzei a linha de chegada o relógio oficial da prova estava desligado. A dispersão no final foi bem organizada, retirei o chip do tênis e me direcionei para pegar a medalha, que por sinal foi bem desenvolvida, juntamente com uma garrafa de Powerade. Havia maçã e banana a vontade, notei que estavam bem selecionadas. Ainda arrisquei a encarar uma pequena fila para ser fotografado gratuitamente na tenda da Unimed (um dos patrocinadores), depois disso troquei de roupa e fui esperar a minha amiga Priscila. Tiramos algumas fotos, conseguimos, mesmo que de longe, ver o início do show da banda RPM, o até então show surpresa. Não bastasse toda a dificuldade para chegar (vale dizer que a organização não tem nada a ver com todo o caos da marginal Pinheiros), tivemos problemas para sair do autódromo, levamos quase uma hora para percorrer um trecho de aproximadamente trezentos metros (estacionamento até o portão 7).
Medalha
Cheguei em casa por volta das 00h00, graças a minha amiga Priscila, que me deu carona, caso o contrário, se tivesse ido de trem, só Deus saberia a hora que estaria em casa, isso sem contar o desconforto do deslocamento da zona oeste até a zona sul (principalmente no caminho de volta). O meu balanço sobre a prova foi positivo, apesar do número exacerbado de corredores, da falta de sinalização na largada e da confusão na hora de sair do autódromo, creio que isso tenha sido os pontos baixos, mas que deverão ser corrigidos para as próximas edições. Não posso deixar de citar o relógio oficial da prova desligado ao final, uma falha GIGANTESCA. A Fila Night Run vem encontrando dificuldade de "estabilizar-se" num local em São Paulo, na zona norte muito trânsito, no autódromo mais trânsito (para o acesso ao local). Parece que as provas noturnas na cidade só tem funcionado quando ocorrem na USP. Uma pena não ter tido fotógrafos na região dos boxes, um dos melhores locais para fotos, pois estava melhor iluminado. Os pontos positivos ficaram por conta da inovação no percurso (invertido), da bela camiseta, da medalha e parte da logística que envolveu a prova, desde o processo de inscrição, coisa que a O2 juntamente com seus parceiros tem acertado nos últimos anos. Não usei o guarda-volumes, mas percebi que estava bem distribuído, a exemplo dos banheiros químicos. E assim terminou a 1ª etapa da FILA NIGHT RUN – São Paulo.

No meu próximo relato, contarei a minha experiência de correr pela primeira vez a tradicional Corrida da Tribuna, em Santos, que acontecerá no dia 20/05/12. Serão mais de 16 mil inscritos, então imaginem a festa! Até a próxima!